segunda-feira, 6 de junho de 2011

estagnação. fracasso. mediocridade.

"Mas só para terminar este ponto: então os estudantes afastados da participação da vida pública; as universidades castradas, transformadas em fábricas de diplomas, quando muito, e quando melhores, transformadas em meras escolas de formação profissional, mais nada. Quer dizer, a universidade perdeu sua função de formadora da elite, forma só profissionais, amus ou bons, mas meros profissionais; não cidadãos e muito menos cidadãos capazes de dirigir o país.
Então, quando se extinguir essa geração - é a teoria que estava outro dia me impressionando e disse que era de tirar o sono... A gente se habitua com a ideia de que o Brasil tem um grande futuro como potência, porque tem, sem jogo de palavras, potencial, grande população, grande área, riquezas naturais, enfim, tem uma série de condições para ser uma das grandes potências do mundo. Para ser, pelo menos, em pouco tempo, um país do nível, vamos dizer, do Canadá, ou do nível para onde está caminhando a Austrália, pelo menos. Mas, de repente, quando a gente vê a crise da formação de elites dirigentes, em todos os setores, e elite no verdadeiro sentido da palavra, não no sentido de que o sujeito tem conta no banco, mas no sentido de um sujeito capaz, que tem espírito de liderança, espírito de iniciativa, capacidade de comando, capacidade de apreender o que lhe ensinam, etc., você começa a temer que só o tamanho do território, o aumento da população e a riqueza potencial não bastem e que o Brasil poderá se transformar numa outra Indía; a Índia também é muito rica, a Índia também é muito povoada."


Depoimento, Carlos Lacerda, 1977.

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