segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Comunicação

A incapacidade de comunicação é a causa de todos os problemas da humaindade. Ela traz consigo duas causas: a incapacidade de compreensão ou a má-vontade de compreender.

Estas, por sua vez, trazem consigo outras causas: a incapacidade de se atentar para o contexto do outro, a falta de vontade de resolver os problemas (por que eles favorecem a si), a incapacidade de se responsabilizar pela própria fala, e em todas elas, há a objetificação do outro e a covardia da ignorância.

Hoje vi alguém usar o o artefato da surpresa como forma de coagir uma criança a ter uma reação emocional específica sob pena de desaprovação geral da família - uma das coisas que a criança mais tem medo, por vezes.

Coloca-se propositalmente a criança numa situação de surpresa, ignorando-se a comunicação, e convenientemente obrigam-na a tecer uma resposta sem preparação - vulnerabilidade que exploram com persuação e ameaça de coerção, forçando assim a aparência de uma resposta autêntica, quando no fundo a verdade é que a criança foi abusada.

Isto é proposital, mesmo que de modo inconsciente, pois o pai e a mãe projetam no filho aquilo que não viveram, reagindo, para sempre, a seus passados não-justificados / não-resolvidos. Assim, o filho nunca ascende para ser o que é, porém é forçado incessantemente a ser o que os pais queriam ter sido mas nunca foram.

Seus pais de merda, vão tomar no cu, está bem claro?


domingo, 30 de julho de 2017

O estresse de crescer para além da concha

As pessoas não estão mal hoje.
Elas sempre estiveram na merda.

Elas só se ligaram disso agora.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Of life, and death at the end of it

Todo copo vazio está preenchido com a possibilidade de todas as bebidas
Toda vida vazia está preenchida com a possibilidade de todas as histórias, missões e propósitos,
Toda incerteza é a possibilidade de várias verdades.
Todo vazio é um cheio.

Alguma hora a gente vai ter que ver que não há mais como sacrificar a alma pela falsa segurança/certeza do racional, que é encerrada em si, afim de alcançar um propósito qualquer que seja que não a própria realização.

Seja em consonância com a imposição do passado por medo, ou em reação e oposição diametral ao que aconteceu, a determinação é o encerramento do ser - é seu fim. É o não-ser.

Nós temos medo terrível de sentir. Sentir prazer traz o medo de sentir dor. Quando acaba o prazer?

Afinal desde sempre fomos ensinados a restringir, a condicionar, a conter a felicidade e não brilhar demais perto de quem já sofre.

Desde que caiu o Nome do Pai e a verticalidade em todas as esferas,
Ninguém mais nos diz o que fazer, e com isso somos livres,

Mas com toda essa liberdade surge a angústia,
De ter que definir um propósito para nossa vida, uma vez que ninguém mais o fará

Porque não podemos fazer tudo, apenas um pouco desse tudo,
E a cada escolha de 10 opções, toda certeza que temos é que deixamos pra trás 9.

Nesses tempos aonde reina o vazio existencial,
O único jeito de sobreviver é readmitir-se cidadão do Vazio.

sábado, 29 de abril de 2017

Rei d'España

Ele era o rei. Seu reinado, a Espanha.
Não se sabia o quão jovem ele era; apenas que nele – e principalmente dentro dele – a juventude vigorava.
Era um cientista, um estudioso, um amante curioso e vivaz.
Amava, acima de tudo, seu reinado. Não tinha ideia de sua extensão, mas sabia que ali encontrara de tudo: de ódio a idolatria, de idolatria a indiferença, e de indiferença à servidão. Essa mistura de reações e sentimentos fazia da percepção do seu reinado algo vivo, intenso e saboroso. Ativava sua expectativa diária de buscar o novo. A novidade era sua palavra preferida do dicionário. Porém, ainda assim, algo precisava ser conservado. Seu reinado, provavelmente.
Sua corte era composta de amigos e inimigos: bêbados, amantes, pecadores e santos. Pessoas que lhe provocavam dúvidas, diálogos, debates. Por essa corte, seu rei cultivou amor, muito amor. E por muito tempo este amor perdurou.
O rei da Espanha tinha pais e uma irmã que era sua melhor amiga, sua protegida (e seu calcanhar de Aquiles). Seus avós, que lhe permitiram gozar desta casta, altiva no espírito; e isso era o que lhe cativara. Mas até quando estariam lá, distribuindo abraços e afagos? Até quando estariam ao alcance de seu abraço?
Suas cortesãs, tão inconstantes, tão fiéis e tão enigmáticas. O rei desconhecia o dia de amanhã, e isso lhe dava forças para viver e seguir em frente nessa charada deliciosa que é a vida catalã de um bêbado inconsequente e pleno.
A vida, às vezes, dá voltas inesperadas. Nem o rei e nem o papa estão prontos para dar uma resposta a tais desdobramentos. O universo é desenhado sob arestas maleáveis perante os olhos da Ordem e do Caos. E, se dobradas, serás ainda o Rei d’España?
Ele é Emuzandro Garcia Nuñes. Mas também é Porto. E Silvares Corrêa.

E era o Rei de um lugarejo muito especial...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

De que vale?

O que você quer fazer é uma contribuição com o mundo
Ou você quer ser apenas reconhecido pelos outros como o foda?
Se for o segundo, pouco importa o que foi feito,
Se for o primeiro, pouco importa o reconhecimento - pra muitos, só chega depois da morte

Se não for pra ser o melhor que der
Se não for pra mirar lá em cima
Pra quê perder tempo?

Pra quê perder tempo com todas essas questões pequenas

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Um post do Facebook que eu desisti de fazer: turbantes e o "movimento negro".

Não tão cedo quanto alguns queriam eu reparei que minhas reflexões eram desprezadas por uma parcela pequena, mas emocionalmente significativa, de amigos no Facebook. Logo, parei de expô-las, porque achava desnecessário ficar entrando em conflito em razão de ideias que advinham da reflexão sobre fatos que, bastando uma pequena pesquisa, eram passíveis de serem descobertos rapidamente.
No entanto, o movimento negro - e falo isso de forma geral, não supondo que todos que lutam contra as mais diversas formas de opressão com base na cor de pele ou composição genética tenham esta posição - está fazendo uma campanha intensa nos últimos dias para afirmar a "propriedade intelectual" (as aspas são para indicar o uso do termo em sentido lato) do turbante pelos povos que diz, em sua representatividade, abarcar. 

Esta arguição de "propriedade intelectual" - e eu já postei isso antes, e isso continua, não sei o porquê, me motivando a sair da minha inércia postativa - carece de QUALQUER fundamento histórico. Os relatos mais antigos do uso do turbante são da região da Capadócia, na atual Turquia, e da Pérsia, atual Irã. A palavra "turbante" deriva do persa! Tudo indica que os turbantes chegaram na África com os invasores muçulmanos. Então, por favor, PONHAM A MÃO NAS SUAS CONSCIÊNCIAS, VOCÊS QUE ALEGAM A EXISTÊNCIA DESSA "PROPRIEDADE INTELECTUAL", e parem de celebrar a cultura de (mais) um invasor. 

Eu realmente acredito que há uma espécie de preconceito insidioso em muitos discursos comuns na sociedade brasileira, um preconceito que não seria propriamente racismo, vez que racismo é uma ideia de certa forma vinculada a um discurso darwinista, em minha opinião (que deriva do meu estudo sobre o tema - que não é nenhum grande estudo, mas que também não é absolutamente desprezível), mais propriamente um clubismo com justificativas de pertença variáveis (classe média alta, classe média branca, classe média parda, classe baixa parda, classe baixa branca, baianos, cariocas, paulistas, palmeirenses, corintianos... Enfim, todos os possíveis clubismos brasileiros), mas sempre hostil aquilo que, em um determinado grupo, não se considera aceitável. Estes clubismos, por vezes, se associam e criam "discursos preconceituosos" contra os de etnia negra ou de composição genética miscigenada e esta hostilidade agridoce, vez que mistura jocosidade e real intenção de ofender, creio eu, deve ser racionalizada e enfrentada sempre em seus excessos. 

Outra coisa que vem me incomodando, e isso deve ser dito, porque se relaciona com o explicitado acima, como o todo no qual a parte se encaixa, é como este mesmo movimento vem pasteurizando a história dos diversos povos africanos, como se a única coisa que marcasse sua significância histórica mundial fosse a escravidão, e como se os povos africanos vivessem antes da chegada violenta dos povos europeus em um Éden, inconscientes do pecado, da guerra, da escravidão e de todas as outras vicissitudes que todos os grandes povos enfrentam historicamente. O desprezo por qualquer coisa que não seja um orgulho étnico absolutamente emulado dos orgulhos nacionais europeus do século XIX faz com que os adeptos - novamente, não todos, uma minoria, minha esperança leva a crer, mas uma minoria barulhenta - ignorem a história de grandes nações de existência milenar, como Mali e Etiópia - para falar só da África subsaariana - e de heróis que lutaram pela soberania dos povos africanos, como Gaddafi (por mais estranho que o sujeito tenha sido, por mais tirânico, seus esforços pela modernização da cooperação política entre os Estados africanos não podem ser esquecidos).

Na verdade, como o feminismo, que é, da mesma forma, muitas vezes manipulado por uma cultura maciçamente voltada para a informação rápida através da criação de palavras de ordem e topoi de discursos facilmente memorizáveis, o movimento negro também está sendo transformado em uma palhaçada onde o idiota, no sentido mais original da palavra, prospera. Essa crítica não invalida a luta nem o combate ao preconceito, muito pelo contrário: é o alerta de um "caro homem branco" que confia na justiça da causa e, mais, acredita na grandeza dos povos da África, o chamado continente negro, aqui lembrado com este epíteto não só pela cor de pele da maior parte de seus habitantes, mas pela nossa ignorância em relação aos processos históricos que nele se deram. 

domingo, 22 de janeiro de 2017

Recusa

Eu em algum momento serei perguntado, e terei de responder que recuso. Todas as formas bandeiras, e sonhos, todas as cores, caixas, e usos. Foda-se. Não fui eu quem criei a escravidão e nem nenhum de nós, e só lucra com a nossa batalha quem lucra com a escravidão. Ela já estava lá quando chegamos, e você sempre soube disso. Então por que essa arma continua apontada na minha direção?

Eu recuso, eu recuso a me referir a você enquanto 'uma pessoa', ou pior, enquanto uma bandeira, ou qualquer coisa que vire bandeira, credo, raça, cor, orientação sexual, gênero, sexo. E permanecer nessa eterna guerra por migalhas de porra nenhuma. Não importa quantas você acumule, você continua escravo. Pode atirar, eu não ligo mais. Eu me recuso.

Tudo o que resta na ilusão são razões para se convencer de que nada resta na ilusão. A única verdade é o amor, e ele é o que nós somos - trevas e luz unidos, e indivisíveis. E nós não somos nada disso, nada dessas bandeiras, bravatas, ou gravatas, nem esses corpos, nem essa carteirinha que fizeram pra gente poder provar que existe, mesmo já tendo nascido.

Eu me recuso a me apaixonar, me recuso a cair de novo nessa lógica idiota de novela que eu continuo caindo ainda às vezes, sem querer. Por que a gente é ensinado a falsificar os outros. A gente se apaixona por um pedaço da imagem da outra pessoa, e exclui todo o resto, sendo incapaz de ver as trevas da pessoa, e sendo incapaz de ver a pessoa de verdade, por que a gente foi ensinado o jeito romântico de ser. E nessa merda todo mundo tem que ser bonitinho e feliz. E a gente acha que isso é o que tem que ser feito. É, dá até pra ser feliz assim, mas isso é falso. Isso é amor falso. Felicidade falsa.

A ignorância não é uma bênção. Se tornar lúcido - num mundo em que ninguém é - pode até ser um tormento, mas é a única coisa que salva da escravidão. Tu pode até virar um mártir e morrer apedrejado, mas você vai estar certo, e fazendo o que realmente acredita. E isso vale mais do que qualquer ilusão.

Então, sinceramente, chega de aturar idiotice, chega de fingir que as merdas não existem. Chega dessa porra. Se vagabundo não percebe que o teatrinho político pra ver quem tem o discurso mais bonitinho (e vai ganhar mais voto) não vale mais do que um cara troncho mas que tá tentando dizer a verdade, foda-se, eu me recuso a mergulhar junto na piscina de merda. Fiquem aí de boa se estapeando e se esfaqueando por migalhas, fingindo que estão fazendo e acontecendo pra si mesmos. A gente se esbarra depois de boas, só não precisa perder tempo me chamando pro clube.

A direita peca tentando demais ser guerreira, e masculina, e brutalmente lógica, pragmática, insensível e reacionária - indo contra o fluxo do progresso tantas vezes não por cautela, mas por medo. E se você disser que é medo da esquerda, eles vão negar até a morte, ficar puto e querer te bater. Como assim eu tenho medo? Mas é SIM, é medo, é em reação. E muitas vezes eles estão certos, apesar de haver uma boa gente completamente desbalanceada e retardada. E assim ficam se estapeando por causa de bobagem. Eles são eficientes, mas de baixa qualidade.

A esquerda peca tentando demais ser bonitinha e politicamente correta, e de tão preocupada com discurso se esquece de essência, e por isso é que tem um bando de hipócrita filho da puta no meio. Tu vai na militância estudantil ver a quantidade de maconheiro esquerdomacho que só entrou no movimento pra pegar mulezinha e fumar maconha, e não sabe de porra nenhuma do que tá falando. Tá viajando ali pagando de desconstruidão e de lutador dos direitos. Na esquerda eles não conseguem ver os demônios entre eles próprios. Ficam cegos de "bonitisse".
Isso Freixo, vai lá, faz a campanha com flores e militancia bonita da Zona Sul. Você não é diferente de um pastor que acredita, e acredita, e... acredita. Acredita demais, por justamente não querer ver; precisa desesperadamente acreditar, por que não quer ver a merda no próprio quintal, preferia que ela não existisse. Vocês são bonitinhos e transudos, mas completamente ineficientes.

É preciso haver equilíbrio. É preciso haver os dois lados. Luz e Trevas. Caos e Ordem. Feminino e Masculino. Sem um fica ineficiente, bagunçado e não chega a lugar nenhum. Sem o outro fica sem alma, sem vida, sem prazer, feio. É óbvio.

Mas enquanto todo mundo briga por causa de migalha de nada, não tem jeito, não dá pra colar com ninguém no recreio. O jeito é ouvir o metal sozinho lá no canto, e planejar um jeito de vencer assim mesmo.