domingo, 25 de dezembro de 2011

Do Coração

A coragem é algo que poucos realmente têm.

A coragem é aquilo que surge quando se precisa fazer o que é necessário, que é certo, não importa o preço. O difícil é fazer isso quando não se acredita no que está fazendo de verdade. E isso não é possível sem seguir o coração.
O poder da reflexão gera uma constante mudança de paradigmas e uma fluidez de idéias que requer muita energia e força de vontade para seguir, realizando essas mudanças conforme o caminho vai passando. E haverá momentos onde a razão não alcança a compreensão do momento - quando muito chega ao escopo deste.


A amizade é algo que poucos realmente têm. 


A amizade é algo que surge quando os corações são honestos uns com os outros, e da compreensão surge o elo que permite ensinar e aprender ao mesmo tempo, dignificando a existência do próprio.
Entretanto o medo, as expectativas materiais, as criações da mente não alcançam a fé serena e desapegada no próximo. Não se pensa o que é amizade - apenas se sabe o que é.

O amor é algo que poucos realmente têm. 


O amor é algo que surge quando os corações se conectam de uma maneira que ultrapassam barreiras materiais, é da tentativa da alma de reunir o espírito em um só. Às vezes o amor dá frutos materiais - um novo coração batendo. Mas não é o fato de existir um novo coração o mais importante, e sim como este coração bate.

Assim como a amizade, todas as tentativas de associação da limitada mente lógica impedem o homem de conectar almas de verdade, e torná-las, por alguns momentos únicos, uma só alma. Ao invés disso, acabamos querendo que o outro coração seja nosso, possivelmente sem que o nosso seja dele. Mais ainda, sem1 percebemos que o único coração que sempre teremos é este, mais nenhum outro. Não existe a posse de nada¹. O amor é a sincronia dos batimentos.


A sinceridade é algo que poucos realmente têm.

A sinceridade é algo que surge quando para um coração a verdade é tão nítida, sem jogos e ilusões, que não há outra hipótese, a não ser defendê-la até que todos a vejam. Isso pode ser fácil quando se trata de enxergar a realidade aí fora. Nascemos olhando para fora, tocando o que há lá fora, escutando o que há lá fora, experimentando o mundo externo. Mas a verdadeira sinceridade não deixa dúvidas para o que há por dentro de si. E os medos, as ilusões, as armadilhas da mente podem grandes obstáculos para Ser o verdadeiro eu.

A confiança é algo que poucos realmente têm.

A confiança é algo que surge quando um coração admite que todos os outros corações sabem a verdade, a mesma verdade que esse sente. Entretanto, num mundo cheio de ilusões e armadilhas mentais, a mente acaba sendo induzida a produzir obstáculos ilusórios que comprometem a capacidade de um ser de agir com completa distinção. Esse fato se manifesta interna e externamente ao ser, isto é, não só a pessoa vê os outros falharem como ela mesma falha às vezes. E por tal, a confiança se enfraquece no próximo, pelo passado do próximo ou pelo passado do próprio observador, que duvida dos outros pelos medos que tem em si próprio.
Quantas vezes tentamos controlar aquilo que é mais precioso a nós, sem confiar no que o próprio fato de ser desse aquilo diz. Quantos negam a uma criança viver sua vida conforme ela realmente sonha e acredita ser mais bonito. Não conseguimos respeitar o fato de que, a própria experiência é o que mais importa naquele momento, e impedimos a preciosa vida de seguir plena. Confiar não só no próprio coração, mas no coração do próximo de verdade, sem iludir-se, é raro.

A sabedoria é algo que poucos realmente têm.

A sabedoria é algo que surge quando um coração entende de verdade o outro, seja este o de um humano, o de um animal, ou do mundo. A experiência e a informação não são garantias de conhecimento, e o conhecimento não é garantia de sabedoria. Se colocar de verdade no lugar do outro exige libertar-se de si, e mais ainda assumir-se como outro, com tudo o que isso acarreta. A verdadeira sabedoria surge da compreensão das coisas fora de um ego, o qual é capaz de corromper o real saber para algo grosseiro como um pensar, e cair num vórtex de ilusões criadas a partir de informações, conceitos e experiências sem a parte que mais importa.

A esperança é algo que poucos realmente têm. 


A esperança é algo que surge quando tudo está negro ao redor de si, e mesmo assim a luz continua brilhando dentro de si. A verdadeira esperança faz com que não importe o quão escuro esteja, a luz interna sempre vá brilhar. Quando a gente diz que perdeu a esperança em algo, não foi a esperança que foi perdida, mas sim uma expectativa. Não é a mesma coisa. A primeira é uma qualidade que pode ser imortal, dependendo do coração que a abriga. A segunda não passa de uma ilusão criada pela mente.
Quantas vezes vemos alguém sem esperança. A vida nos dá tantos exemplos de que o mundo é ruim. Mas será que vemos os poucos e belos exemplos que a vida nos dá de que não é tão ruim assim, ou de que pode haver mudança? Pequenos e simples, às vezes, nossa ocupada mente acaba por ignorá-los.

A luz é algo que poucos realmente têm.

A luz é, materialmente dizendo, aquilo sem o qual não conseguimos enxergar. A luz que sai de um coração obviamente não é materialmente visível, é aquilo que toca os outros corações e os liberta das ilusões que escurecem nossa percepção da verdade. Nascemos completos, e todas as respostas que realmente precisamos estão dentro de nós. Não existe escuridão, a luz é a única coisa que existe - a escuridão é só a ausência de luz. Um coração que é livre de verdade e venceu todas as batalhas internas contra medos e ilusões, passa a brilhar.

A bondade é algo que poucos realmente têm.



A bondade não é só a ausência da maldade. Parece que vivemos num lugar tão escuro que só o fato de não praticar maldades já significa ser bom. Não é verdade. Quando existe bondade de verdade num coração, não existe mais dualidade. 
O coração enxerga tudo com unidade, ama a todos, se conecta a todos, ilumina a todos sem nunca perder a esperança, confia em todos, compreende tudo e todos, e tem coragem para fazer o que quer que seja necessário sem esperar nada em troca, apenas pelo bem.


Nunca deixem o coração.


"There is a difference between knowing the path and walking the path, Neo. I can only show you the door, you have to walk in for yourself."

"Don't think you are the one. Know you are." 




Morpheus




¹ A posse é só mais uma ilusão que criamos e algumas vezes escolhemos acreditar nela. Mas como sabemos, quando apenas um acredita em X, é uma alucinação. Com dois, X continua sendo alucinação. Já cinco acreditando, talvez seja uma histeria coletiva. Quando todos acreditam, será que vira realidade?

2 comentários:

Guilherme Alfradique Klausner disse...

Genial. Esse texto sintetiza tudo que deveria ser dito neste blog. Isso é tudo que o meu coração poderia dizer a qualquer outro coração. E foi escrito por outra mão. Mas talvez seja porque os corações estão próximos.

Symphony of Iluvatar disse...

USHAUSHUAHSUAHS que gay man
Brinks, sei como é