quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pai

Este é um post que era de uma idéia para o domingo passado, e não foi postado no dia propositalmente.

É engraçado como eu tenho coisas parecidas com meu pai mesmo sem nunca ter convivido com ele. E mesmo antes dos 18 anos, que foi quando eu passei a me encontrar com ele, eu tinha trejeitos, maneiras de falar, se expressar, idéias e tudo que é interesse parecido com ele.

Quando eu tinha 2 anos e nem sabia falar direito, ele foi pro Japão. Creio que seu senso crítico disse a ele que ele não ia ser um bom pai, e ele decidiu que se não fosse pra ajudar, então melhor não atrapalhar. 

Mas eu acho também é que ele queria conhecer o mundo, e conquistá-lo. Digo isso pois estou descobrindo como é chegar aos 21 anos. E ele teve um empurrãozinho. Muita gente quando tá tudo uma zueira vai e formata o windows e que se foda tudo. No bom sentido.


Eu não sei o que é ter um pai. E não quero nem falar sobre o que eu sei a respeito de ter uma mãe.


Mas eu não vejo isso com maus olhos. Afinal, se você olhar, no final de tudo, o que se aprende é sempre uma bagatela. Sou bom nesse negócio de aprender, mas às vezes falar pra quem tá de fora é fácil, e sempre é possível ir mais fundo.

E eu tive várias "referências" durante a vida. Se foram paternas ou não, sei lá, são classificações inexpressivas da psicologia individual. 

Eu sei é que ter diversidade nessa parada me ensinou a importância da autocrítica: um ponto de vista apenas nunca é o bastante. E com muitas referências, temos muitas coisas a se aprender.


Acho que os pais deveriam passar por uma auto-escola que ensinasse como se criam filhos em conjunto com a escola, obrigatoriamente, toda vez que tivessem filhos. Sob pena de perda da guarda do menor caso não esteja em regularidade.




Na verdade, eu acho a família uma instituição falida. 


Veja bem, eu Acho, e é parecido com o casamento. Quase nunca dá realmente certo, quer dizer, atinge bons resultados. Hoje, precisamos de novos paradigmas e novas formas de instituir a criação, educação e talvez até desenvolvimento da raça. Mesmo porquê segundo Hawkins vão acabar os recursos todos do planeta em breve, então é bom otimizar essa porra.

No modelo 'k-pax'iano, o sujeito era criado por todos, não por seus pais. Pois no final das contas é verdade, e é inegável: não é porque somos filhos de sangue de alguém que temos que escutar toda besteira que esse alguém fala. Pais erram, ficam malucos, bebem, fazem merda. 
E em contrapartida há seres que tentam mostrar algo que preste para as gerações, como os cavalheiros do CQC, da Liga, o Felipe Neto, alguns de seus professores, alguns de seus amigos. O que seus pais dizem é mais verdadeiro do que o que esses caras dizem por causa de... laço de sangue?

Laço de sangue não define porra nenhuma do que nós somos. Talvez uns trejeitos. 

Nós somos uma música. Nosso DNA vai no melhor dizer com que rendimento nossos sentidos vão nos ajudar a interpretar o mundo. No final o veredito é sempre da mente. Por isso não deveríamos ter contas a prestar com só uma meia dúzia de gato pingado, e sim com a sociedade inteira, e sermos Gratos por estarmos dentro dela. Quem não quiser contribuir, pode sair.




Se me dissessem que eu sou igual ao meu pai, entenderia, mas teria de discordar. Ser igual ao meu pai é um fracasso pra mim. Eu estou aqui para ser melhor do que ele. E vou ensinar meus filhos a serem melhores do que eu. Se eu os tiver.


E se eu morrer antes disso, façam os outros lerem meus textos, por favor. 



@felipeneto O maestro que lidera a orquestra dá as costas à platéia.

Todos somos maestros. 
E juntos, formamos uma grande orquestra. 
E tocamos a sinfonia. 
E quem está na platéia? Os mortos? Esperando a Hora de bater palmas, quando estarão prestes a voltar para casa?

De qualquer modo isso não significa que a platéia não faça parte do espetáculo.

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